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Óculos de lata, poema de Daniela Schlogl

 

Cada criança

Quando começa a perceber o mundo

Ganha óculos de lata

As meninas ganham um estilo gata,

e os meninos um aviador

No inevitável rolar dos dados

as crianças vão arrancando pedaços das coisas

e colando nos seus óculos

Eles não tem lente, ao invés,

eles tem um imã no lugar das lentes,

Ticas e ticos só conseguem enxergar através

dos fragmentos de vida vivida colada na suas lentes.

Sem estas figuras elas não conseguem enxergar.

Uma criança sem referência

É um adulto que não sabe a que veio

Cada colagem não atrapalha a visão dos óculos,

pelo contrário,

As crianças só ficam grandes

quando somam um número suficiente de figuras

pelas quais elas podem olhar através.

 

Daniela Andreia Schlogl era estudante de Economia na Unila, em Foz do Iguaçu, PR., à época da publicação original. Texto publicado inicialmente na revista Escrita 23.

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