Olhos e palavras na rua

  –  Ação cultural celebra dia do livro na Feira Livre da JK.  Associação Guatá distribuiu 300 exemplares da Revista Escrita e expôs poemas e fotografias  –


Livro de cabeceira, livro cabeça. Livro de literatura, de historinha, de exatas ou de humanas. O livro continua sendo uma janela de conhecimento e informação aberta para o mundo. Para celebrar o Dia Mundial do Livro, comemorado dia 23 de abril, agentes de leitura da associação Guatá promoveram ação cultural na Feira Livre da JK, neste domingo.
Os visitantes e feirantes receberam exemplares da Revista Escrita, publicação de literatura e arte mantida pela entidade, além de materiais literários e panfletos com informações sobre as comemorações alusivas ao dia do livro, data que faz referência aos escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Durante a atividade, a entidade distribuiu gratuitamente 300 revistas literárias.
 

Alana: “Leitura é caminho para atingirmos autonomia, ganharmos força e libertação”

Na Feira da JK, Alana Lavrado recebeu os exemplares da Revista Escrita, reuniu panfletos de literatura e conferiu as exposições de poesia e fotografia instaladas no espaço público. Para ela, a iniciativa contribui para a democratização do acesso às expressões e criações literárias, e deve acontecer de forma permanente em vários pontos da cidade.
“A leitura representa uma abertura para o mundo, para o conhecimento e a criatividade. É uma forma de atingirmos autonomia, ganharmos força e libertação”, diz Alana Lavrado. “Essa iniciativa é fundamental, pois a leitura tem tudo a ver com cidadania. Nosso mundo físico é muito limitado, então, aprendemos muito com os livros, com a leitura”, completa.
Madari: “A ação da Guatá é uma possibilidade interessante de troca de experiências, para que as pessoas tenham acesso às produções uns dos outros”

Para Adilson Madari, estudante de Antropologia, a ação de leitura realizada pela associação Guatá contribui para a fruição das trabalhos literários e a interação entre os seus autores. “É uma possibilidade interessante de troca de experiências para que as pessoas tenham acesso às produções uns dos outros, em um movimento que vai ganhando um corpo cada vez maior”, expõe.
 
 
Kariny Wermouth, ao centro, com novos leitores da revista Escrita. A publicação da Guatá já reúne mais de 800 autores numa coleção que está próxima do número 50.

Leitura e cidadania
A ativista da associação Guatá, Kariny Wermouth, explica que a ação faz parte do Tirando de Letra, programa permanente da entidade que incentiva o ato de ler. O objetivo é promover a reflexão sobre a importância da leitura. Dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro, mostram que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro.
Para a ativista da Guatá, o direito à leitura é indissociável do exercício da cidadania cultural. “A formação de leitores é quase sempre relegada a um papel secundário pelas políticas públicas de cultura e educação”, reflete. “Precisamos reverter isso, pois a leitura está diretamente ligada à cidadania, é um fator de autonomia das pessoas”, frisa.
 
Folheteria da Guatá, alusivo ao Dia Mundial do Livro. (reprodução)

Dia do livro
Celebrado anualmente em 23 de abril, o Dia Mundial do Livro foi instituído pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), durante assembleia geral da instituição, realizado em 1995. A data marca a morte em 1616 do escritor Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote de La Mancha, considerado o primeiro romance moderno.
Também em 23 de abril, nasceu (1564) e faleceu (1616) William Shakespeare, tido com o maior escritor da língua inglesa e principal dramaturgo de todos os tempos. A data foi criada pela UNESCO para homenagear os grandes nomes da literatura mundial e também como forma de valorizar a importância do livro e de reflexão de toda a sociedade sobre o direito à leitura.
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Guatá/texto e fotos: Paulo Bogler

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