Orgânica

  – Um poema de Carla Santos  –

Orgânica

Sou Mulher de carne e osso!
Sou de verdade.
Verdadeira.
Como a terra,
madre primera.

POSSO
dar a vida e o seu alimento.
Sendo vida:
nasço, cresço e desvaneço [desapareço!?]

Sou de verdade!
Não sou de gesso.
Mas quebro, trinco, sofro e adoeço.
Não sou de aço!
mas enfrento até o laço.
LUTO. [há muitos lutos]
Luto a luta que é de muitos.
O capital e o patriarcado adoecem todos os seres.
Mas quais irão enfrentá-los?
A LUTA me veio com o ultraSOM.
A vagina me proporcionou antes a dor do que o prazer.

Sou de verdade!
Grito.
Mijo.
Choro.
Suo.
Gozo.
Amo.
Canto.
Leio.
Rio.
Crio.
Construo.
Trabalho.

Sou mulher de carne e osso!
Sou de verdade.
Me transformo a cada dia
desde a maternidade.
Sou Orgânica,
E sigo construindo minha identidade.


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Carla Santos é professora de educação fundamental
e estudante de Antropologia em Foz do Iguaçu, Pr.

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