Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on print
Print

Os Inconfidentes

  –  Um comentário de Marcio de Souza  –

Dirigido por Joaquim Pedro de Andrade o filme Os Inconfidentes (1972), lançado em DVD em cópia restaurada (Vídeo Filmes), teve como fonte de inspiração os Autos da Devassa, a poesia dos inconfidentes – Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga – e o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. O roteiro foi escrito por JPA em parceria com Eduardo Escorel. Ainda que um documento oficial como os Autos da Devassa seja a fonte inspiradora do filme, uma visão muito pessoal pode ser identificada. Seu diretor cuidou-se por não realizar um mero filme histórico, subserviente a uma ordem cronológica ou reprodutor de uma narrativa convencional oficialmente predominante. Se lembrarmos que em 1972, ano de comemoração dos 150 anos da independência do Brasil e de vivência do período ditatorial sob o governo de Emílio Garrastazu Médici (30/10/1969 a 15/03/1974), marcado pela intensificação da repressão política e da censura aos meios de comunicação, podemos valorizar ainda mais este filme que possibilita uma variedade de leituras e significados.
Não se trata, pois, de um filme sobre a Inconfidência mineira propriamente dita, mas o diretor discute a posição dos intelectuais frente aos fatos políticos. Trata-se, pois, de um filme atual no sentido em que retrata questões como o poder e a política como meios para efetivação de interesses particulares. Desse modo, os partícipes da inconfidência, como os poetas Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa e o padre Toledo estão presentes no filme como os intelectuais que defendem interesses particulares. Tiradentes é perfilado como o herói ridicularizado pelos seus colegas, para cuja voz fizeram-se ouvidos moucos. A própria imagem heróica de Tiradentes – um proprietário de escravos – é questionada. Como bem observaram o crítico Jean-Claude Bernadet e o professor Alcides Freire Ramos “por mais distante que Joaquim Pedro se mantenha do herói, por menos que Tiradentes apareça no filme, ele se heroifica em negativo, isto é, não tanto pelo que ele faz, mas é por oposição ao comportamento desmoralizador dos intelectuais que Tiradentes ganha sua positividade. E esta atinge a dimensão heróica pelo veredito e pelo castigo, que não atinge os outros” (1988, p.29). A derrota política revela que o heroísmo dos inconfidentes é de pura fachada, já que ao serem condenados abandonam Tiradentes, o único que assumiria a responsabilidade pelo levante. JPA diz que “toda a história da conspiração está vista a partir da cadeia” e “a cadeia interferiu na pessoa dos poetas causando uma virada quase de tipo infantil, o inquisidor se confundia com o pai julgador, a rainha com a figura materna” (encarte da edição em DVD).
À bela edição em DVD de Os Inconfidentes, acompanham o curta-metragem O Aleijadinho (1978, 24 min) e extras contendo entrevista com Jean-Claude Bernadet, making of da restauração do filme, trailer original e encarte com textos e fotos.

Referências:
BERNADET, Jean-Claude e RAMOS, Alcides Freire. Cinema e História do Brasil. São Paulo: Ed. Contexto, 1988.
Vídeo Filmes. Os Inconfidentes (encarte do DVD, 2008).

 Clique aqui para acessar CENA ABERTA. Assista “Os Inconfidentes” e conheça mais sugestões da Guatá

_____________________________________
Marcio de Souza, educador brasileiro. Texto extraído do blog que te viu e quem te vê, onde foi publicado em 2011.

Arquivos

Categorias

Meta