Pela Arte e pela História

  – A partir desta semana, 48 obras serão devolvidas do acervo do Palácio do Planalto e do Alvorada para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MnBA).  Maria Elisa Costa, filha de Lúcio Costa, urbanista responsável pelo planejamento de Brasília, um dos construtores de Brasília, escreve carta aberta sobre o fato. – 

A partir desta semana, 48 obras serão devolvidas do acervo do Palácio do Planalto e do Alvorada para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MnBA).
A partir desta semana, 48 obras serão devolvidas do acervo do Palácio do Planalto e do Alvorada para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MnBA).

O FATO: O Governo Federal anunciou que irá devolver 48 obras do acervo do Palácio do Planalto e do Alvorada para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MnBA). São pinturas, esculturas e mobiliário de vários artistas, entre eles, Cândido Portinari, Djanira da Motta, Alberto da Veiga Guignard, Arcângelo Ianelli, Eliseu Visconti, Maria Leontina, Rodolfo Amoedo e Henri Nicolas Vinet. As obras foram emprestadas à Presidência a partir de 1956. O contrato de cessão havia sido prorrogado nos anos noventa, com vigência até o fim de 2016.
Integrados à Capital Federal, os trabalhos ficavam expostos para a visitação pública, compondo parte da história não apenas de Brasília como da República.
Especialistas ligados à arte e ao patrimônio cultural posicionaram-se contra a retirada das obras. Wagner Barja, curador do Museu Nacional da República, considerou que a devolução significa uma perda aos valores culturais da Capital Federal. Marcelo Mari, professor de História da Arte da Universidade de Brasília (UnB), classificou a decisão não teve a fundamentação de especialistas da área.
Maria Elisa Costa, filha de Lúcio Costa, urbanista responsável pelo planejamento de Brasília, criticou a devolução das obras e apelou publicamente ao IPHAN para que o instituto impeça a devolução do acervo. Confira o texto na íntegra:


 –  Carta aberta de Maria Elisa Costa ao IPHAN  –  

Maria Elisa Costa
26 de dezembro às 16:37
CARTA ABERTA à Presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artísico Nacional – IPHAN
Sra. KATIA BOGEA
Senhora Presidente,
Meu nome é Maria Elisa Costa, e quase 15 anos atrás ocupei o cargo que agora ocupa, talvez por esta razão, permito-me fazer-lhe um apelo. Tentei falar-lhe por telefone (61 2024 5000) mas a ligação não completava, dai a opção pelo Facebook:
NÃO PERMITA QUE AS OBRAS DE ARTE QUE HABITAM O PALÁCIO DO PLANALTO E O ALVORADA SAIAM DE BRASÍLIA!!!
Informada de que se pretende devolvê-las ao Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro, como carioca e brasileira considero tal hipótese uma traição a Juscelino, e a Brasília.
Juscelino Kubischek de Oliveira era, mesmo, um brasileiro “por extenso”. Conseguiu reunir capacidade realizadora, competência política, fé no Brasil, alegria, solidariedade…. E mais uma coisa, a meu ver, fundamental: o amor à arte, não como mero colecionador, mas como alguém consciente do poder da arte como síntese da identidade de um país.
Brasília nasceu sob o signo da arte… e para marcar essa presença, o que fez nosso JK? Conseguiu que o Museu de Belas Artes da antiga capital lhe cedesse uma bela coleção de obras de arte, a serem colocadas nos Palácios de Brasília, como a dizer – aqui, Poder & Arte convivem, cotidianamente.
Com o tempo, essas obras passaram, de fato, a “pertencer” a Brasília. A ideia de JK criou raiz. Retirá-las seria desmerecer a sensibilidade e a sabedoria de quem foi capaz de construir, em três anos, nossa capital…. Ele não merece!
Contando com seu discernimento,
Atenciosamente
Maria Elisa Costa


 
Atualização em 29 de dezembro:
Leia mais detalhes e argumentações prós e contra a devolução das obras em artigo do jornal Nexo


(P.Bogler/ com Correio Brasiliense)

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