Por paridade

  –  Estudantes da Unila fazem ato por consulta pública paritária para a reitoria  –

Marcada para setembro, consulta foi suspensa pela Comissão Eleitoral; definição será do Conselho Universitário (Foto: Marcos Labanca/H2FOZ)
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Estudantes da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) protestaram na sede da reitoria da instituição na manhã desta sexta-feira, 24. Eles pedem a manutenção da consulta pública para a escolha do reitor e vice-reitor e que o voto seja paritário entre discentes, professores e agentes universitários.
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Os alunos reivindicam normativa com regras objetivas para o afastamento dos candidatos à reitoria e que a votação seja presencial. Eles querem voto aberto dos membros do Consun (Conselho Universitário da Unila) na reunião que referendará o processo de escolha dos dirigentes.
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Representando centros acadêmicos de vários cursos, os estudantes se concentraram em frente ao prédio da reitoria, onde fixaram cartazes e faixas. Em seguida, percorreram a sede da universidade entoando palavras de ordem, e foram recebidos pelo chefe de gabinete, Geraldino Bartozek.
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Os estudantes solicitaram, por escrito, a transferência da reunião extraordinária do Consun para o Auditório Martina, no Campus Jardim Universitário, e expuseram suas preocupações com processo de consulta em andamento. Ainda questionaram o que consideram demora da reitoria em convocar a reunião do conselho.
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A sessão do Consun, que é o órgão máximo da instituição, está marcada para o próximo dia 31 e definirá o andamento da consulta pública da Unila. A reunião foi necessária depois que Comissão Eleitoral suspendeu as eleições até deliberação do Conselho Universitário. Dos 14 membros da comissão, 8 renunciaram.
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Os universitários conversaram com o H2FOZ sem gravar entrevista e apresentaram a nota conjunta dos centros acadêmicos (leia abaixo). “A reunião do Conselho Universitário sobre as eleições da Unila deve ser aberta para toda a comunidade acadêmica e externa. É preciso ter transparência e participação”, expressou um dos estudantes.
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Transferência de local – 
Representando a reitoria da Unila, Geraldino Bartozek disse aos estudantes que tinha atribuição para tratar apenas de questões administrativas, mas se comprometeu com o pedido de transferência do local da reunião do conselho. Após reunir-se com sua equipe, formalizou comunicado transferindo a reunião do Consun para o Jardim Universitário, como pediam os alunos.
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Aos estudantes, Bartozek afirmou que a reitoria só poderia convocar a reunião extraordinária do Consun depois da comunicação formal de suspensão da consulta pública por parte da Comissão Eleitoral. Segundo ele, esse procedimento foi feito em 22 de agosto, o que foi referendado em nota da universidade encaminhada ao H2FOZ.
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“Precisávamos esperar a Comissão Eleitoral se manifestar, estávamos prejudicando o rito”, disse Geraldino Bartozek. “Da parte da reitoria, queremos todas as categorias da Unila participando do processo de consulta”, garantiu.
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A Unila informou que o reitor Gustavo Vieira está afastado da universidade até o dia 31 de agosto, em virtude de falecimento de familiar. A vice-reitora Cecília AnglIeli cumpre férias laborais, por isso não tem expediente na instituição de ensino.
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Conforme a assessoria de imprensa da Unila, com o afastamento temporário do reitor, a próxima reunião do Conselho Universitário será presidida pela professora Laura Amato. O regimento do colegiado diz que em casos de ausência do reitor o professor decano conduz o conselho.
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Consulta – 
O edital com as regras da consulta pública para reitor e vice-reitor da Unila foi publicado no dia 2 de julho. A votação estava prevista para o dia 10 de setembro deste ano e quatro chapas estavam inscritas para disputar o pleito, até a suspensão do processo.
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Conforme as regras atuais, o Conselho Universitário definiria a lista com os três candidatos mais votados e a enviaria para o MEC (Ministério da Educação). O reitor e o vice-reitor serão nomeados pelo presidente da República entre os integrantes da lista tríplice.
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Para entender as principais reivindicações dos estudantes:
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Paridade – As regras da consulta pública são baseadas em duas fórmulas de votação. Uma atribui o mesmo peso (33,33%) às categorias de professores, estudantes e técnicos administrativos. Em outro cálculo, a categoria docente tem peso de 70%; a categoria discente, 15%; e a categoria técnico-administrativa, 15%.
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Os estudantes pedem que seja assegurado que o critério de escolha a ser referendado pelo Consun considere apenas a paridade, isto é, a fórmula que atribui 33% do peso dos votos para cada uma das três categorias da instituição.
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Votação presencial – O regimento eleitoral instituiu o voto eletrônico não presencial, por meio do SIGAA (Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas), de gerenciamento dos cursos e atividades acadêmicas da Unila.
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Os alunos reivindicam eleição presencial, com cédula impressa ou meio eletrônico, com a presença de fiscais e mesários, e a adoção de outros mecanismos de fiscalização e transparência.
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Afastamento dos candidatos – 
O edital que normatiza a consulta pública da Unila prevê o afastamento dos candidatos que concorrem aos cargos de reitor e vice-reitor. Os estudantes afirmam que o regulamento não é objetivo quanto às formas e regras que deverão ser seguidas pelos concorrentes e pela universidade. Eles citam como exemplo que alguns candidatos solicitaram férias para dedicar-se à campanha.

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Paulo Bogler – H2FOZ

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