Rio, carnaval 2020

Resultado do desfile carioca confirma a força temática das religiões de matriz africana. As primeiras colocadas – Viradouro, Grande Rio e Beija-Flor – fizeram referências aos rituais da Umbanda e do Candomblé

A campeã Viradouro exaltou o trabalho das mulheres (Foto: Raphael David | Riotur/ Fotos Públicas

Se em algum momento da história do Carnaval do Rio houve dúvidas sobre a influência e presença das religiões de matriz africana na festa, 2020 veio para derrubá-las. As três primeiras colocadas do grupo especial levaram à Sapucaí a força dos orixás do Candomblé, das entidades da Umbanda e o papel primordial que essas crenças têm na construção da identidade cultural brasileira.
(Nara Lacerda / Brasil de Fato)

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As Ganhadeiras de Itapuã

O samba da Viradouro, grande vencedora do Carnaval, já começava com uma saudação a Oxum, orixá das águas doces. A composição foi protagonista de um dos momentos mais emocionantes dos desfiles na Sapucaí. Com pouquíssimo tempo de desfile, já era entoada pelo público, que abraçou as referências ao Candomblé.

No enredo, a escola homenageou As Ganhadeiras de Itapuã, mulheres que desde o fim do século 19, contam histórias de vida por meio de canções populares, enquanto trabalham nas ruas de Salvador. Hoje, as descendentes desse costume formam um grupo musical, que nasceu nos quintais de duas casas de Candomblé de capital baiana. A força do trabalho das mulheres, conduzidas por Oxum, garantiram à Viradouro o apoio do público na hora do desfile e a consistência do espetáculo chamou atenção dos jurados.

Acadêmicos da Grande Rio pede respeito ao Axé (Foto: Raphael David/Riotur)

O Rei do Candomblé

O pai de santo que criou polêmica no Carnaval de 1956 por ter saído fantasiado de Vedete, em 2020 foi tema do desfile que deu o segundo lugar à escola Acadêmicos da Grande Rio. Joãozinho da Gomeia, um dos mais importantes líderes do Candomblé brasileiro, foi homenageado no enredo “Tata Londirá: o canto do caboclo no quilombo de Caxias”.

Exus modernos abriram o desfile da Beija-Flor / Dhavid Normando | Riotur/ Fotos Públicas

Exu protege as ruas e o povo

A Beija-Flor fechou os desfiles da Sapucaí na madrugada de segunda-feira (24) com uma celebração às ruas. Da era do gelo à Sapucaí, a escola falou sobre a construção de caminhos, pontes e estradas como mecanismo de evolução da humanidade. Durante todo o desfile o recado da agremiação de Nilópolis foi claro: a rua pertence ao povo.

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Brasil de Fato / Nara Lacerda