Rio Doce

  – Um poema de Carlos Drummond de Andrade  –  

rio doce
Peixe agoniza na lama da
tragédia ambiental de Mariana, MG

I

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

II

Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

III

A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?


Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro (1902-1987).
Poema publicado em 1984 no jornal Cometa Itabirano, de Itabira, MG.