Roa Bastos, 100 anos

  –  Escritor paraguaio estaria completando um século de vida neste dia 13 de junho.   –


O escritor Augusto Roa Bastos possui uma das narrativas mais consistentes e particulares entre os autores latino-americanos. Ocupa o posto central na literatura do Paraguai, seu país, que viu-se obrigado a deixar depois de ser perseguido por déspotas cuja tirania está representada em muitos dos personagens por ele criados.
Fosse vivo, Roa Bastos completaria 100 anos neste dia 13 de junho. Seu nascimento na capital paraguaia de Assunção foi no simbólico 1917, ano da Revolução Russa, movimento humano de forças e ideias que embalaria a consciência rebelde do escritor. Sua morte aos 87 anos ocorreu em 26 de abril de 2015.

Augusto Roa Bastos (à dir.) e Garcia Márquez

A obra de Augusto Roa Bastos é principalmente representada pelos três livros batizados pelo próprio autor de “trilogia paraguaia”, que inclui “Hijo de Hombre” (1960/1993), “Yo, el Supremo” (1974) e “El Fiscal” (1993). Parte dos escombros deixados pelo exercício do poder na América Latina e especificamente em sua nação são retratados nesses livros.
Ao autoritarismo e à violência ficcional parida da realidade, da experiência e do contato do autor com a guerra, o exílio e as injustiças, somam-se histórias e enredos comuns. Ao escrever, Roa Bastos olhou para a realidade de sua nação e criou bebeu na fonte do idioma ancestral, o guarani, para dar às palavras força e expressividade singulares.
Contos de Roa Bastos editados em português.

Os livros de Roa Bastos foram traduzidos em pelo menos 25 idiomas. Em 1989, recebeu na Espanha o Prêmio Cervantes. Com grande parte de sua obra desenvolvida no exílio, escreveu dezenas de livros de poesia, teatro, conto e romance, além de roteiros para o cinema. Em 2007, dois anos depois de sua morte, foi lançado a coletânea “El libro de los libros de Augusto Roa Bastos”.
O escritor pôde visitar o Paraguai somente após a queda do ditador Alfredo Stroessner, em 1989, e seu retorno definitivo aconteceu em 1996. Reconhecido no mundo por seu engenho literário, Roa Bastos combateu e denunciou a tirania até o fim de seus dias, fazendo da linguagem e das palavras a sua trincheira.
[box]  “El trueno cae y se queda entre las hojas. Los animales comen las hojas y se ponen violentos. Los hombres comen los animales y se ponen violentos. La tierra se come a los hombres y empieza a rugir como el trueno”. (Lenda guarani recuperada por Roa Bastos, no livro “EI Trueno entre las Hojas”)[/box]
 
Leia um poema de Augusto Roa Bastos: “De la misma carne”
Leia um conto de Augusto Roa Bastos: “Esos Rostros Oscuros”
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Guatá/Paulo Bogler
 

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