Rotina, um poema de Lara Aragão

Rotina

cumprindo um ciclo
enriquecendo o currículo
num cubículo
o metro é cúbico
o sorriso é em milímetro
o choro é invisível
a máquina quase invencível
a melancolia é massiva
sou livre e cativa
encarcerada numa rotina
sem direito a ser explosiva
meu nome é Ana, Luisa ou Sofia
Vitoria, Andreia, Julia ou Maria
e compro pra ser linda
compro pra ser viva
me vendo pra ter vida
talvez eu sobreviva.

Lara Aragão era estudante de Direito em Navegantes, SC, à época da publicação. Agora estuda Medicina em Buenos Aires, Argentina. Texto publicado originalmente na revista Escrita número 46.