Se

  –  Um poema de Gabriel Cortilho  –


 

SE

se pudesse, enfim, alçar vôo
desfacelariam as linhas tênues
o soco do tempo não seria assim

tão implacável

a vida, largo fio de cobre no osso,
impõe diariamente sua concretude
os homens-relógios seguem a rotina
beijam e sentem o sabor da mesmice
sustentam o amor por suas casas

de plástico

ah, se pudesse, enfim, alçar vôo
o desejo não seria vizinho da culpa
e nenhum afeto seria moeda de troca

nossos corpos
aboliriam o subjuntivo
e a longa espera, inócua,
pelo som dos violões

sem corda

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Gabriel Cortilho é professor de História, poeta e músico
em Araraquara, SP. Poema publicado na revista Escrita 47.

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