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Sobre plantas e flores, de Áurea Cunha

Ensaio fotográfico e texto realizado em um jardim durante a pandemia.

 

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Texto e fotos de Áurea Cunha

 

Nestes tempos de distanciamento social, lembrei de Leila, com seus longos cabelos em rabo-de-cavalo, dizendo-me: “fotografe as flores”. Eu ficava quieta, para não contrariar, mas mentalmente respondia, não gosto. São muito belas. Qual a vantagem? Nenhuma arte bidimensional poderia se comparar a beleza do original, com todos os sentidos envolvidos. No silêncio, lembrava a mim mesma que gosto de gente, do rosto e seu potencial comunicativo.

Quando lecionava fotografia na faculdade, torcia o nariz quando um aluno trazia uma foto de paisagem. Cheguei  a citar Gênesis da Bíblia para incentivá-los  a não tirar os humanos das fotos. Minha intenção era mostrar que todo o cenário teria sido feito para as gentes.

Mas foi aí que, para não enferrujar o olhar, quis fotografar algo que não precisasse sair dos limites do meu quintal. Lembrei da conversa sobre fotografar flores e  resolvi experimentar.

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Meu quintal é de poucas flores.  Tinha decidido que se tivesse um jardim seria de algo que se pudesse comer ou usar como remédio. As flores que tenho ou são de plantas medicinais ou de legumes e verduras, exceto a rosa e a primavera que nem fui eu que plantei. Se dependesse de mim, só comestíveis. Na primeira florada, no entanto, só surpresas e uma explosão de detalhes, texturas e cores. Apreciadora do quiabo frito, por exemplo, não sabia que sua flor é uma delicadeza. Quase transparente, com um miolo vermelho intenso , contrastando com o  amarelinho bebê da pétala. E a flor do boldo? Lembra pássaros azuis bebendo água.

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Quando fotografamos rostos, a fotografia é mais interessante à medida em que capturamos mais da alma daquele ser.  E as flores e plantas? O que podemos capturar mais delas? O que podemos aprender com elas? Os esotéricos falam nos elementais como uma espécie de “alma” das plantas e que poderíamos nos comunicar com eles. Estudos científicos comentam e estimulam essa interação.

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Eu no primeiro ensaio já queria ver as fadas dançando em voltas das flores com suas asinhas translúcidas. Penso e solto um sorriso.  Não vi nem gnomos, nem duendes e tampouco as fadas. Não significa que desisti. Vou  continuar fotografando as flores. Não para que fiquem belas, porque já são. Mas, para dizer: eu vejo vocês. E quem sabe a amizade pode até florescer!

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Texto e fotos de Áurea Cunha, fotojornalista em Foz do Iguaçu, Pr.

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