Solidariedade x coronavírus

Em Ciudad del Este, mulheres criam rede para doar alimentos aos mais pobres. Durante a pandemia de coronavírus, voluntárias distribuem cestas básicas para comunidades indígenas e famílias com trabalhadores informais ou desempregados.

O distanciamento social como forma de prevenção ao novo coronavírus atinge as pessoas de forma diferente. Em isolamento para colaborar com a saúde coletiva, trabalhadores informais, desempregados e outras populações vulneráveis vivem o drama de não ter renda fixa para enfrentar a pandemia.

Em meio às dificuldades do período atual, surgem iniciativas comunitárias para ajudar quem mais precisa. Na região de Ciudad del Este, na fronteira do Paraguai com o Brasil, por exemplo, o coletivo de mulheres Kuña Poty criou a Rede Solidária, que arrecada alimentos e insumos básicos e os distribui em comunidades populares.

A rede autogestionada e voluntária indica casas nos bairros de Ciudad del Este e outras cidades da região como ponto de referência para a arrecadação, com uma lista de alimentos e insumos que são recebidos. Os produtos são selecionados e organizados em cestas básicas para a doação, realizada sob cuidados sanitários, como lavagem e desinfestação dos itens.

Sem aglomeração de pessoas, a mobilização é feita pelas redes sociais, explica Dea Acosta, uma das integrantes da Rede Solidária. Também são fixados cartazes em pontos visíveis. “Estamos tentando fazer mais rápido o que o Estado deve fazer. Acreditamos que o poder público fará a entrega de alimentos básicos para a população mais carente. Mas não sabemos quando”, frisa Dea.

A Rede Solidária já distribuiu alimentos e insumos básicos para a comunidade indígena Maká. As doações deverão beneficiar, ainda, famílias carentes que comprovem a necessidade. Terão prioridade trabalhadores informais, desempregados ou subempregados.

Maká carrega parte dos donativos conseguidos pelo coletivo Kuña Poty (foto: acervo do coletivo)

Indígenas Maká

A ação voluntária já repassou alimentos e outros produtos para 35 famílias da comunidade indígena Maká. Na aldeia, vivem cerca de 80 pessoas. “São muitas mulheres, crianças e adolescentes que ficam em situação de extrema pobreza em pleno centro de Ciudad del Este”, diz Dea Acosta.

Ela informa que, devido à pandemia de coronavírus, os indígenas estão isolados dentro das comunidades, sem que as mulheres possam vender artesanatos, e os homens não contam com trabalho. “Eles terão alimentos para vários dias. Arroz, açúcar, farinha, leite, erva-mate, conservas e papel higiênico estão entre os produtos doados”, relata Dea.

Para doar

Quem quiser colaborar com a doação de alimentos, produtos de higiene, álcool em gel e máscaras cirúrgicas deve entrar em contato pelo telefone: +595 (0991) 861-195. Clique aqui para acessar o coletivo Kuña Poty nas redes sociais. https://www.facebook.com/KunhaPoty/

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Paulo Bogler

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