Talvez uma roda gigante

Um poema de Adriana Biberg

Você acordou pela manhã, talvez tenha tomado um banho, talvez não
vestiu sua roupa, escovou os dentes, talvez tenha tomado café, talvez não
Saiu para o trabalho, pegou um ônibus, metrô ou o seu carro e chegou onde devia chegar
Talvez você queira estar aí, talvez não 
Talvez os seus sonhos estejam guardados em fundos de gavetas, em baús de fotos antigas
Talvez você esteja com ele na palma das mãos nesse momento, mas ainda não percebeu
Talvez você nem sabe que sonhos existem ou então já desistiu de sonhar
Talvez você também pense que essa vida é uma grande roda gigante
E talvez você esteja na parte de baixo, sem uma vista bonita nesse momento
Talvez você faça de tudo para que a roda gire mais rápido, para que sinta de novo a euforia das alturas
Talvez você não entenda como rodas gigantes funcionam
Talvez você até queira se jogar da parte mais alta e parar de rodar
Mas talvez de infinitas rodas seja feita a existência
Você roda e roda até cansar, se morre ou se vive não importa
Quanto mais ansiedade, menor é a sua roda, você está a todo momento em cima e em baixo, em cima e em baixo
Quanto mais medo de rodar, mais velozes e longas parecem as voltas, não existe sossego
Quanto mais raiva, maior é a vontade de quebrar a roda, pode ser que você consiga
E entre em um limbo de queda, sem qualquer apoio
Na roda, extremos não ajudam
E talvez você também esteja cansado de tentar entender como a roda funciona
Talvez você só esteja esperando que ela pare um dia
Quem sabe, se olhar melhor você não seja o único na roda gigante
E talvez ajudar os outros seja uma boa saída para o tédio que a roda as vezes se mostra
Apreciar a vista panorâmica, entreter-se com o sorriso alheio,
Talvez, juntos a gente possa encontrar um sentido.

_________________________
Adriana Biberg é psicóloga em Foz do Iguaçu, Pr. Poema publicado na revista Escrita 53

Arquivos

Categorias

Meta