“Te leo poesia, bien cerca”

Em tempos de quarentena, que tal poesia ao pé do ouvido?

Pois, pois, seus problemas acabaram. Ainda que por celular, numa poetagem eletrônica. Neste domingo, a partir das 17 (horário paraguaio, uma hora a menos que no Brasil) o coletivo “Bien Cerca” sai das praças de Assunção para adentrar em sua moradia com o projeto “Poesia Íntima em Lugares Públicos’, versão “Epyta Nde Rógape” (Fique em casa).

“A dinâmica sempre foi ler muito perto do ouvido, num cenário intimista, nas praças e parques. Mas dada a situação atual, de recolhimento, trocamos para essa alternativa virtual”, explica Edu Barreto, criador e coordenador do projeto. Neste domingo, além de Edu, o grupo contará Cony Oviedo, Jimena Gómez, Camila Arcondo e Ruth Cáceres, que interpretarão em espanhol poemas de autoras e autores de todo o mundo.

Conforme explica Edu Barreto, os pedidos estão chegando de todos o território paraguaio. De outros países também. No início da tarde do domingo, já contabilizavam centenas, com pedidos do Uruguai, da Argentina, do Brasil e até da longínqua Islândia, de onde uma amiga resolveu escutá-los.

Para receber uma poesia via whatsapp, basta você fazer o pedido, utilizando-se das páginas oficiais do grupo de poetas no Facebook ou no Instragram, conforme consta no cartaz acima.

Para participar, você deve acessar:
https://www.facebook.com/biencerca/
https://www.instagram.com/biencerca/

Coletivo leva poesia para as praças de Montevidéu (UR) e de Assunção (PY) (Fotos: facebook Bien Cerca)

Bien Cerca – O trabalho de divulgar a poesia, levando as orelhas dos livros até o ouvido das pessoas que transitam nas ruas e praças da capital paraguaia já acontece desde 2016, nos conta Edu Barreto. “Bien Cerca” é pensar a poesia como uma ponte para reconstruir vizinhanças, cercanias”

Assim, desde que foi criado, o projeto tem estado em parques, praças, estações de trem oferecendo poesia aos ouvidos. Cidades paraguaias como Assunção e Areguá, além de Montevidéu, no Uruguai, e Clorinda, no lado argentino, receberam a ação do grupo. Sempre com um poeta a espera de alguém para contar o porque é necessário gerar cumplicidade em meio à violência que cresce. Ao perguntar: “Te leio uma poesia?”, oferece ao acaso uma folha que contém um poema – do qual o autor pode ser sulamericano, europeu, etc, lê ao ouvido de quem permitiu e o presenteia com o poema.

Na verdade, a história do projeto se estendeu até Montevidéu nos anos de 2018 e 2019, quando Edu deixou Assunção. Em 2020, o coletivo retomou o trabalho no solo guarani e uma de suas incursões foi no 8 de Março, em plena manifestação do Dia Internacional da Mulher.

Com a ameaça da pandemia do coronavírus, isso tudo mudou. Recolhidos às suas casas, os poetas no entanto, resolveram agir. Usando a internet, estão à obra novamente, mesmo que não presencialmente. À distância, aliás, esta será a segunda experiência. Houve uma primeira em 21 de março de 2017, festejando o Dia Mundial da Poesia.

Edu Barreto explica que em Montevidéu, um outro trabalho está sendo preparado. Ainda sem data definida, o grupo composto por Ana Strauss, Tere Korondi e Pabloski Zzi pretendem ler poesias ao vivo, no whatsapp.

Enquanto tal oportunidade não chega, fiquemos com a deste domingo (22). Bora escrever pro coletivo e depois colar o ouvido no celular.

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Guatá / Silvio Campana