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Tecendo a Manhã, poema de João Cabral de Melo Neto

1.

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

 

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um poeta e diplomata brasileiro. Poema publicado no livro “A educação pela pedra” (1966).
Ilustração:  “Galo”, de Aldemir Martins (1922-2006). Gravador, desenhista e ilustrador.

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