Terra, direito à vida

  –  Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária-Urbana Popular acontece durante o mês de abril  –

 
Durante o mês de abril, uma programação composta por debates, exibição de filmes, visitas em assentamentos, além de atividades culturais e acadêmicas, marca a quarta edição da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária-Urbana Popular (JURA), que tem como tema, este ano, a “América Latina reunida em defesa dos direitos dos povos”. Também integra a Jornada a Semana dos Povos Indígenas, evento que acontece entre os dias 17 e 20 de abril, com cinedebates, encontros e troca de saberes em áreas indígenas. A UNILA e a Unioeste, assim como movimentos populares como o MST e as Brigadas Populares,  são algumas das instituições organizadoras da JURA, que está sendo realizada dentro das universidades e em ambientes externos.
(Confira aqui a programação completa).
“A Jornada acontece desde 2014 em diversas universidades brasileiras e busca atrair, para o espaço acadêmico, a solidariedade e a integração com as demandas dos camponeses, dos trabalhadores rurais e dos povos indígenas no Brasil e na América Latina. Em Foz do Iguaçu, tem a particularidade de incluir questões urbanas, como a luta pela moradia e pelo direito à cidade”, aponta Julio Moreira, docente da disciplina de Fundamentos da América Latina na UNILA e um dos organizadores da JURA.
O evento traz entre os convidados a jornalista Mariana Ladaga, que irá abordar o tema sobre o uso de agrotóxicos no Paraguai e suas consequências na contaminação dos alimentos e da água. A palestra acontecerá no dia 28 de abril. A JURA iniciou sua programação na última sexta-feira (31), com a mesa-redonda “Luta pela terra e o papel da universidade”, além de atividades de visita a acampamentos, reunião técnica da Rede de Pesquisadores da Questão Agrária do Paraná e lançamento de carta de denúncia e repúdio à questão indígena do Oeste do Paraná.
Semana dos Povos Indígenas
A Semana dos Povos Indígenas acontece durante a JURA com a proposta de contribuir, no ambiente acadêmico, para a discussão de questões indígenas na atualidade e dos processos de embate vivenciados por esse grupo. “Os povos – indígenas e camponeses – estão, atualmente, em momento de luta por terra e espaço, enfrentando um processo extremamente violento do agronegócio brasileiro”, opina Clóvis Brighenti, professor do curso de História da UNILA, que organiza a Semana juntamente com um coletivo formado por estudantes e docentes e com organizações da sociedade civil, como o Conselho Indigenista Missionário – CIMI.
Para discutir questões relacionadas a essas temáticas, acontecem cinedebates com a exibição de dois filmes: “Enchente – O outro lado da barragem Norte” e “Martírio” – filme que mostra o conflito contra o povo Guarani e Kaiowa e com lançamento marcado para o dia 11 de abril, na UNILA.
O documentário “Enchente”, por sua vez, é uma denúncia de violação dos direitos indígenas durante a ditadura militar, a partir da construção da barragem de contenção de cheias no rio Itajaí, em Santa Catarina. Os eventos são gratuitos e abertos ao público.

Um encontro de rezas dos Oporaiva, de xamãs guarani de aldeias fronteiriças, na aldeia Tekoha Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, também compõe as atividades da Semana dos Povos Indígenas, que tem sido organizada, ainda, por projetos de extensão ligados a questões indígenas, como o Aty Mirim, que prevê, entre suas atividades, a realização de encontros para troca de saberes.
“Os Guarani são extremamente religiosos. Em todas as aldeias há xamãs – líderes espirituais. Eles têm a força para mudar os rumos e são os responsáveis por batismos, curas e previsões. Uma comunidade sem xamã é, portanto, uma comunidade fraca, debilitada, sem condições para viver. Até recentemente não havia caciques ou líderes políticos, eram os xamãs que conduziam o povo”, contextualiza Clóvis Brighenti.
(Confira aqui a programação completa JURA ).
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Sandra Narita / Assessoria Unila

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