Terra Livre

 –  Indígenas de mais de 100 etnias fazem mobilização em Brasília  –


Desde o dia 23 de abril, representantes de mais de 100 etnias estão reunidos no 15º Acampamento Terra Livre (ATL), no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. A expectativa é que mais de 3 mil pessoas participem do encontro, que segue até o dia 27. Os indígenas apelam por mais atenção à demarcação de terras, cuidados com saúde e educação, assim como investimentos específicos.
Os apelos ocorreram em meio às divergências sobre a instalação do acampamento: os indígenas defendiam na Esplanada dos Ministérios, ao lado do Teatro Nacional Cláudio Santoro, mas o Governo do Distrito Federal não autorizou. Houve confusão e, depois, foi definido o local. Os indígenas acamparam no Memorial.
 

Terra Livre – No centro da discussão, a unificação das lutas das várias etnias e a demarcação das terras. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Terra Livre – O Acampamento Terra Livre é considerada a maior mobilização de indígenas do Brasil. Doutorando em Direito, o líder indígena Dinamam Tuxá pediu que as autoridades públicas invistam em um sistema de educação menos conservador. Segundo ele, é necessário respeitar o indígena de tal forma que não seja tratado como um “ser exótico”. De acordo com ele, o preconceito vem na infância, nos livros escolares, em que os indígenas aparecem nus e alheios à tecnologia.
Casada com um branco, a líder Telma Tapirapé é considerada uma rebelde entre os indígenas. Indiferente às críticas, ela incentiva a participação feminina nas mobilizações e elogiou a atuação das mulheres kaingang. Entre os indígenas, há o costume de ouvir apenas as lideranças, nem todos falam. Telma rompeu este hábito.
 
Mulheres indígenas de todo o Brasil chegam ao Acampamento Terra Livre (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

As mulheres – “Se jogasse um alfinete no meio do salão, você o ouvia cair. Tava todo mundo calado. Eu disse: ‘Agora, tão aqui as mulheres e elas precisam falar.’ Quando terminei, todo mundo aplaudiu e eu saí. Veio um branco e disse: ‘Meu Deus, você acaba de quebrar um protocolo aí”, contou Telma Tapirapé referindo-se a reuniões anteriores.
Consciente dos problemas que perpassam entre os indígenas e brancos, Telma Tapirapé costuma abordar a necessidade de ações de combate à dependência química e álcool, assim como o fortalecimento do empoderamento feminino. Segundo ela, uma das suas preocupações se concentram no atendimento às mulheres vítimas de violência de gênero.
Até o próximo dia 27, há programações intensas no Acampamento Terra Livre com reuniões plenárias, rituais, rezas, danças, lançamentos de publicações e a projeção de filmes e documentários.
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