Tramarias

  –  Coletivo paulista apresenta espetáculo tendo como temática a violência doméstica. Dia 1 de dezembro, às 14 horas, no CRAM – Centro de Referência e Atendimento à Mulher, Em Foz do Iguaçu –  
traimeiras
“Tecer era tudo que Maria fazia, tecer era tudo o que queria fazer. Todos os dias bem cedo, acordava e caprichosamente colocava em seu tear mágico linhas e fios que utilizaria para alinhavar o mundo ao seu redor. Linhas amarelas para dias quentes, linhas acinzentadas para nuvens tempestuosas. Tudo estava sempre em perfeita harmonia. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o dia em que se sentiu só. E com isso ela dançou…” (fragmento do texto do espetáculo)

“As Trapeiras” é o nome do coletivo paulista que discute a violência de gênero, usando linguagens cênicas e o recurso do conto literário. Composto pelas atrizes Ivy Mari Mikami, Jéssica Duran e Sabrina Motta, o grupo se propõem despertar por meio da oralidade e do espaço cênico o empoderamento feminino, tendo como eixo de pesquisa as problemáticas político-sociais relacionadas à mulher. Também quer resgatar a memória coletiva da luta feminista através da releitura de contos tradicionais e contemporâneos.
Dia primeiro de dezembro As Trapeiras fará apresentação, única e gratuita, do espetáculo “Tramarias” em Foz do Iguaçu . Será na sede do sede do CRAM  – Centro de Referência e Atendimento à Mulher -, dentro de uma programação que vem se desenvolvendo em Foz e tem como temática principal a opressão e violência que as mulheres vivem. O espetáculo, que é aconselhado para público com mais de 10 anos, tem 60 minutos de duração e mais 30 de conversa.

_as-trapeirasSobre “Tramarias” – “A obra tem como eixo narrativo a releitura do conto “A moça tecelã”, de Marina Colasanti. Ela é permeada por duas tramas: a história de Maria da Penha Maia – cuja luta frutificou na Lei 11.340/06, mais conhecida como Lei Maria da Penha – e o conto tradicional peruano “Uma Vara de São Marmelo”, explicam as integrantes do coletivo.
Ele traz como mote a discussão sobre a violência doméstica, pois observando a urgência de transformação social que carregamos em nossa luta histórica, vimos a necessidade de ‘destecer’, desconstruir a justificativa sociocultural que alimenta a opressão sobre a mulher. Passando a tradição adiante, de geração em geração, se reproduz o discurso machista que coloca as mulheres como um alvo de injustiças e violências sociais, sejam elas físicas, psicológicas, emocionais ou morais, sabendo que hoje o machismo pode ser considerado um dos maiores fatores de violência no país.”

Arte para desconstruir – Reconhecendo o papel da arte como sendo fundamental na desconstrução de paradigmas sociais, objetiva-se inseri-la como ferramenta auxiliadora no empoderamento das mulheres. Em sua ação no campo subjetivo, a arte buscar romper os níveis superficiais da consciência humana, trazendo à tona situações de opressão naturalizadas, a fim de questionar determinados padrões sociais.

Como método de pesquisa são utilizados três eixos principais, criados a partir da formação artística e pedagógica das arte-educadoras. São eles: a expressão corporal que buscará o contato e o reconhecimento de si, utilizando a memória corporal para identificar-se como um corpo social e observar o quê dentro dele dói; a comicidade que irá propor a exteriorização da dor, o exagero e a exacerbação dos sentimentos, apontando as causas, o por quê dói; e por fim o teatro da oprimida que a partir de conceitos e práticas de libertação buscará auxiliar no rompimento da dor, estimulando a compreensão e a transformação a dor em luta e resistência.
A violência doméstica acontece todos os dias no Brasil, é uma trama complexa composta de finos fios com resistentes conexões. Para que esse momento histórico seja superado, é preciso buscar “os ossos perdidos da história” e reconstruí-la trazendo à superfície toda a dor que foi encoberta pelos ilusórios “finais felizes” contados nos contos de fadas.

A montagem do espetáculo Tramarias foi viabilizada pelo Edital ProAC – Primeiras Obras de Produção de Espetáculo Inédito e Temporada de Teatro 2015 – do Governo do Estado de São Paulo, e circulou por Centros de Referência e Defesa da Mulher (CRM e CDCM) da Grande São Paulo.

Serviço: “Tramarias”
(indicado a partir de 10 anos)
Grupo “As Trapeiras”
Dia primeiro de dezembro, às 14 horas
Local: Sede do CRAM, Rua Padre Bernardo Plate 1250, Jardim Pólo Centro, Foz do Iguaçu

Sobre o CRAM – Centro de Referência da Mulher em Situação de Violência – Foz do Iguaçu
https://www.facebook.com/Centro-de-Referência-da-Mulher-em-Situação-de-Violência-CRAM-557527164392988/


Assessoria Trapeiras 

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