Tratado geral das grandezas do ínfimo

  –  Uma fotografia de Negendre Arbo. Um poema de Manoel de Barros  –

“Pela janela do ônibus”, de Negendre Arbo

 
A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.
__________________________
Manuel de Barros, poeta brasileiro (1916-2014)

Arquivos

Categorias

Meta