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Um fragmento de Hilda Hilst

 

“Que dor desses calendários
Sumidiços, fatos, datas
O tempo envolto em visgo
Minha cara buscando
Teu rosto reversivo.
Que dor no branco e negro
Desses negativos
Lisura congelada do papel
Fatos roídos
E teus dedos buscando
A carnação da vida.
Que dor de abraços
Que dor de transparência
E gestos nulos
Derretidos retratos
Fotos fitas
Que rolo sinistroso
Nas gavetas.
Que gosto esse do Tempo
De estancar o jorro de umas vidas.”

OBS: Essa passagem se encontra em “Cantares de perda e predileção”, livro de poemas publicado em 1983.
Hilda Hilst, poeta brasileira (1930-2004)

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