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Um ode à diversidade

 –  Um toque de Letícia Scheidt  –  

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Você sabe quantos tipos de batatas existem? Mais de 4.000. Ainda assim, quantas chegam ao seu prato? A batata inglesa, a doce e no máximo uma mandioquinha salsa? Sabe que comemos cerca de 2% das plantas comestíveis do planeta? Essas outras 98% estão aí, esbanjando nutrição, enquanto nos satisfazemos com o feijão-arroz-bife-alface, para não dizer miojo-katchup-hamburguer.
Nossa sociedade comercial vive, em pleno século XXI, em plena era do conhecimento, uma padronização cultural, em que a verdade vem embalada pronta pra consumo. Você não precisa pensar, não precisa descobrir pelo processo criativo, a realidade está dada.
E assim caminha a humanidade. Na sexualidade, caixinhas bem claras e distintas: hetero, homo, bissexualidade. No gênero, não tem muita conversa, ou é homem ou é mulher, e isso se define desde muito cedo (brinquedos de meninos, brinquedos de menina). Nos relacionamentos, fórmulas, prontas, como ser feliz, para sempre. A internet é um universo de informação e possibilidades, mas quantos de nós vamos além da tríade facebook-netflix-youtube, passivamente recebendo dados, transformando o monitor em uma nova televisão?
Nesse mundo simplificado e racional, caímos facilmente nas dicotomias. No recente alvoroço político, por exemplo, há tão pouco espaço para discussões e aprendizagem pela escuta das opiniões contrárias. Apenas uma polarização, cada vez mais extremada. Entre coxinhas e mortadelas, muito sangue no olho e pouca empatia.
Parece que essa supersimplificação da subjetividade cumpre uma função clara na sociedade de consumo. Esvaziada de sentido e adoecida. Na padronização de corpos, de estilos, de hábitos, de opiniões, vamos adequando, normatizando e conformando fenômenos complexos em modos de ser pré-estabelecidos.
Max Weber nos apontava, no início do século passado, para o desencantamento do mundo. Pierre Weil, na década de 1980, descrevia o fenômeno da normose. Na nossa sociedade, ser normal passa pela alienação, pela estagnação, pela aceitação da falta de perspectivas.
Pois há sim, muitas perspectivas. Somos um mar de complexidades, individuais, sociais, ambientais. Que possamos nos reencantar, enlouquecer, ir às fronteiras da razão, conhecer o desconhecido, embelezar, gozar. Que não nos permitamos viver sem sentido, sem magia, sem ludicidade, sem prazer, sem arte. Que nos seja devolvido o sagrado que há em nós e no nosso entorno. Que possamos sonhar, desejar, questionar, transformar. Que nossa subjetividade seja plena possibilidade!
Por vidas com mais tesão, viva a diversidade!


Letícia Scheidt pensa, sonha, pratica e compartilha boas ideias em Foz do Iguaçu, Pr. Texto publicado na revista Escrita, edição 41.
 

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