Um recado na porta…

  –  Aos 34 anos da morte de Adoniran Barbosa, a obra do sambista torna-se patrimônio histórico e cultural paulistano. Ele também foi homenageado com o CD “Se assoprar, posso acender de novo”, que reúne quatorze músicas inéditas gravadas na voz de vários intérpretes brasileiros  –  


A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou projeto de lei que declara como patrimônio histórico e cultural a obra do sambista Adoniran Barbosa. A proposta do vereador Toninho Paiva (PR), espera para ser sancionada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) daquela cidade.
Pelo texto, a municipalidade passará a ser obrigada a garantir a preservação de toda a obra do artista, “incluindo as composições e poesias”. Ou seja, agora fazem parte oficialmente do patrimônio cultural paulistano, as canções Trem das Onze, Saudosa Maloca, Tiro ao Álvaro, Iracema e Samba do Arnesto.
Adoniran era o pseudônimo do cantor compositor João Rubinato, nascido em 1910, em Valinhos, na região de Campinas. Como conta a biografia anexada ao projeto de lei, na juventude, o músico abandonou os estudos e trabalhou como entregador de marmitas, encanador e garçom.
Após arrumar um emprego na capital paulista, aos 22 anos, passou a participar de programas de calouros em rádios. Em 1941, foi trabalhar na Rádio Record como ator cômico e locutor. Foi lá que conheceu o grupo Demônios da Garoa, com quem teve longa e próspera parceria.
Adoniran morreu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos.
https://www.youtube.com/watch?v=lpEAQg6LEtg
 
A poesia de Adoniran – O modo de falar simples e com pequenos erros gramaticais é uma das marcas da obra de Adoniran, conforme destaca a justificativa do projeto de lei. Em alguns casos, aparece em um jogo de palavras, como o apaixonado Álvaro, que também é um jogo de palavras com “alvo” em Tiro ao Álvaro. O personagem é o destino certo das frechadas [flechadas] disparadas pelo olhar da moça, mais mortíferas do que veneno estriquinina e bala de revorver .

Adoniran: o samba paulistano com sotaque italiano e universal
Adoniran: o samba paulistano com sotaque italiano e universal

A partir dessa poesia, identificada com as camadas mais populares, Adoniran contava histórias de eventos diários que, às vezes, chegavam à crítica social, como no despejo de “Saudosa Maloca”. “Peguemos todas nossas coisas e fumo pro meio da rua, apreciá a demolição/ Que tristeza que nós sentia/ Cada táuba que caía, doía no coração”, compôs Adoniran, dando voz aos sem-teto que observam a derrubada do imóvel onde tinham vivido nos últimos anos.
Por esse tipo de sensibilidade, o vereador ressalta que o compositor “retratou com maestria o cotidiano paulistano”, o que justifica a preservação de seu trabalho.

Assista a cantora Fernanda Takai interpretando
“Rostinho de Maria”, canção inétida de Adoniran”

_adoniran-cdCanções inéditas vão virar CD – Ao completar trinta anos da morte de Adoniran Barbosa, o sambista será homenageado com o lançamento de CD e DVD reunindo músicas inéditas de sua autoria. Entre os intérpretes escolhidos para as 14 canções reunidas, estão Criolo, Ney Matogrosso, Simoninha e Fernanda Takai.
As músicas foram encontrada pelo produtor Cássio Pardini que pesquisava a vida de Adoniram, desenvolvendo um documentário. Cássio chegou a um velho amigo de Adoniran Barbosa, que guardava composições inéditas do sambista. A partir daí, os quatro intérpretes foram convidados e o trabalho está saindo do forno.
 


Guatá/com Agência Brasil/site Adoniran

Arquivos

Categorias

Meta