Uma Flor no Concreto

  –  Um ensaio fotográfico de Jaqueline Vieira retrata a ocupação “Flor do Campo” , de londrinenses que lutam pela moradia popular  –


As imagem retratam histórias recolhidas na ocupação Flores do Campo, em Londrina, no Paraná, conforme explica a fotógrafa Jaqueline Vieira, autora da fotos.
“Há cerca de 3 meses estou documentando em imagens a ocupação Flores do Campo, zona norte de Londrina. A ideia inicial sempre foi construir um registro capaz de buscar a beleza e o cotidiano da ocupação.
As fotos são minha contribuição à luta pela moradia digna. Flores do Campo é uma construção do programa federal Minha Casa Minha Vida que tinha previsão de entrega em janeiro de 2015, não acontecendo, devido o não repasse de verba da Caixa Econômica Federal para a construtora responsável que decretou falência meses seguintes. As casas, algumas não tem nem mesmo a estrutura básica terminada, foram ocupadas em 30 de setembro de 2016, por cerca de 500 famílias. Em 02 de outubro de 2016 saiu o pedido de reintegração de posse favorável à Caixa Econômica.
As imagens agora integram uma campanha pela permanência dos moradores no território do Flores do Campo, que na data de hoje, 24/08/2017, sofreram muita pressão para serem removidos do local.”
A seguir nota de apoio em que setores da sociedade civil londrinense se manifesta pelo direito à moradia:

NOTA DE APOIO – OCUPAÇÃO FLORES DO CAMPO

Nós moradores e moradoras da Ocupação Flores do Campo ocupamos a Câmara municipal no dia 24/08/2017 para pressionar o poder público a assumir compromisso público sobre o destino de centenas de famílias residentes na Flores do Campo, em caso de reintegração de posse.

O Conjunto Flores do Campo foi ocupado em 30 de setembro de 2016, com cerca de 1000 famílias. A construção, realizada através do projeto de moradia popular do governo federal, estava há 6 meses parada, com apenas 48% da obra concluída. Retomando a função social dessa propriedade abandonada, os moradores fizeram várias melhorias nas casas e no bairro, trazendo linha de ônibus, melhorando as vias por onde passam carros, coleta de lixo, creche, horta comunitária, cursinho popular, oficinas variadas e comércios para abastecer as famílias que moram no local.
Desde então os moradores do Flores do Campo passaram a sofrer sistematicamente repressão policial, boicotes e preconceito, culminando com a ação da PM que mobilizou cerca de 10 viaturas da ROTAN, uma do CHOQUE e um helicóptero, dando tiros com bala de borracha, bombas de gás e agredindo moradores inocentes para cumprir um único mandato de prisão na tarde da última quinta-feira, dia 22 de junho.

Segundo dados oficiais, Londrina apresenta um déficit de moradia de quase 70 mil pessoas, contando apenas as que conseguem dar entrada ao pedido na COHAB. Os moradores e moradoras do Flores do Campo não querem habitar o lugar e ter acesso aos serviços básicos de forma gratuita, por isso estamos também lutando por estes direitos. A própria Ocupação é um instrumento de pressão social e de luta por moradia.

Assim, convocamos todos os movimentos, pessoas, militantes, entidades e demais grupos e organizações a se juntar às nossas lutas cotidianas e também a assinar e espalhar este documento apoiando oficialmente a Ocupação Flores do Campo. Pois sabemos que se trata de uma luta por direitos de muitos londrinenses e brasileiros que não têm onde morar dignamente.

Ocupação Flores do Campo, 24/08/2017.

RBTR – Rede Brasileira do Teatro de Rua.
MARL – Movimento dos Artistas de Rua de Londrina.
Consulta Popular Londrina.
MNDH-PR – Movimento Nacional de Direitos Humanos do Paraná.
CDH – Centro de Direito Humanos de Londrina.
Coletivo Lutas – UEL.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná.
Diretório Central dos Estudantes (DCE) – UEL.
Comitê do Passe Livre.
Comitê Contra a Repressão Policial.
MACUL- Movimento Artesanato é Cultura
APP Sindicato Estadual do Paraná
Sindicato dos Bancários de Londrina e Região
MST – Coordenação Estadual
Coletivo Mobiliza Londrina
Sindicato dos Servidores Municipais de Cambé e região
COJIRA – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial
Discentes do Curso de especialização em Comunicação Popular e Comunitária (UEL)

Para assinar a NOTA DE APOIO envie e-mail para: floresdocampo.londrina@gmail.com, ou entre em contato através da nossa página (@OcupaFloresDoCampo).

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Jaqueline Vieira é fotógrafa e estudante de Ciências Sociais em Londrina, Pr.

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