Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on print
Print

Uma vez, para sempre

  –  A vida que a gente recorda  –  


O público que visitou a Feira do Bosque Guarani, na sexta-feira, 16, pôde conhecer, relembrar e dialogar sobre a história de Foz de Iguaçu, por meio das atividades de memória do programa Tirando de Letra, realizado na feirinha pela associação Guatá, com o apoio da Fundação Cultural. A ação contou com a exposição “Retrato de Foz”, conjunto de fotografias sobre o cotidiano da cidade nas primeiras décadas do século XX,  além de folhetins e publicações sobre memória.
Turistas e moradores visitantes da feira livre revisitaram cenas, personagens e momentos dos primeiros anos do recém-formado município de Foz do Iguaçu. Em destaque, as imagens que retratam o intenso movimento de passageiros e cargas no antigo porto da cidade, localizado na região próxima à Marinha, ponto de chegada de homens e mulheres que deram sua contribuição para a construção da cidade.
Os retratos também revelam detalhes sobre a instalação na região dos rebeldes paulistas e gaúchos que aqui formaram a Coluna Prestes, que marchou pelo país contra a República Velha, nos anos vinte. Algumas fotos demonstram a estrutura militar do movimento e até o entrosamento de alguns moradores com os “revoltosos”, como eram chamados à época. Uma outra fotografia, demonstra a comemoração quando da partida dos revolucionários e o incêndio de uma igreja por conta de fogos lançados durante os festejos. Imagem que pode indicar um dos primeiros flagrante de fotojornalismo que se tem conhecimento na história iguaçuense.

_tl1612-expo4
Retratos de Foz reúne registros de cenas iguaçuenses da primeira metade do século XX. (Fotos: Paulo Bogler)

Curiosidades na História
No acervo da exposição “Retratos”, a foto de meados de 1930 que registra uma caçada de onça pelos antigos moradores de Foz do Iguaçu desperta a atenção principalmente de iguaçuenses. O abate do animal, prática relativamente comum naquele período, teria sido realizado em área de mata do “Rincão São Francisco”. Transmutada aos dias de hoje, o local estaria muito próximo da Praça da Bíblia, na avenida República Argentina, que atualmente é uma área densamente ocupada por residências e comércios.
O músico viajante Carlos Vasquez, original da Costa Rica, ficou surpreso com as fotografias expostas em varal na Feira do Bosque. Vasquez, que em seu país é professor de inglês, buscou relacionar os locais mostrados pelas antigas imagens com a geografia atual da cidade. “São fotografias muito interessantes. Com viajo por várias cidades e países, acho importante conhecer um pouco da história do lugar em que me encontro”, explicou.
Poesia na feira
A carioca Vanessa: "Iniciativa interessante que vou tentar reproduzir na minha cidade"
A carioca Vanessa: “Iniciativa interessante que vou tentar reproduzir na minha cidade”

Além da exposição de fotos antigas de Foz do Iguaçu, a associação Guatá levou à feira livre uma ampla exposição sobre a obra do escritor e dramaturgo alemão Bertolt Brecht. O material apresentou poemas, fragmentos de peças teatrais e outras narrativas do autor que é considerado um dos escritores fundamentais do século vinte. A banca de leitura e expressões ainda reuniu livros cartoneras e boletim infantil com textos, jogos e espaços para colorir. Ainda para a criançada, muito papel para dobradura de balões, barcos e aviões.
A pedagoga carioca Vanessa Arruda visitou a banca da Guatá acompanhada da filha e destacou a iniciativa como um canal para tornar a leitura mais acessível à população. “É um espaço para a circulação da literatura entre a população. Reconheci o “Analfabeto Político” de Brecht, tão atual. E me interessei muito pelas publicações cartoneras, ideia que vou levar para executar na minha escola, lá no Rio de Janeiro, revelou a pedagoga.


 
Texto e fotos: Paulo Bogler

Arquivos

Categorias

Meta