Vamos, timão…

–  “Respeita as minas”. Corinthians investe em marketing para enfrentar o preconceito contra o futebol feminino  –

Time feminino do Corinthians estampará frases machistas em jogo na Arena (Reprodução/YouTube)

Para questionar a falta de incentivo e o preconceito que rodeia o futebol feminino brasileiro, o time feminino do Corinthians, em parceria com a agência Y&R, lança a campanha #CaleOPreconceito. Durante os jogos, as jogadoras entrarão em campo expondo o problema através do maior símbolo do futebol: a camisa. Ao invés de exibir os patrocinadores, estampará frases machistas reais retiradas da internet, como por exemplo, “Futebol feminino só vai ser bom quando acabar”.
“A gente está acompanhando nas redes sociais, repercutiu bastante. São frases verídicas, situações que já vivemos. Eu posso falar isso, a gente espera que sirva de exemplo para outros clubes e que ações como essa aconteçam mais e mais”, afirma Grazi, atleta do futebol feminino do Sport Club Corinthians Paulista Corinthians.
 

 
O objetivo da ação é debater o preconceito no esporte e também discutir a falta de incentivos ao futebol feminino. Visto que atualmente, apenas 2,7% da cobertura de mídia é destinada ao esporte feminino, contra 97% do espaço ocupado pelos homens – segundo dado publicado pelo Unisinos em 2014. Além disso, em 2017, a Premiação do Campeonato Brasileiro foi dividida em R$ 17 milhões para o masculino e apenas R$ 120 mil para o feminino, valor 141 vezes menor.
Embora a luta por reconhecimento e espaço sejam reais, a falta de patrocínio é o que tem levado times de grande expressão a cessarem completamente suas atividades por falta de apoio.
“O tempo provou! Sem empenho o futebol feminino não decola, esta gestão tem como pauta de honra lutar pela igualdade no futebol e #RespeitaAsMinas”, afirma Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Sport Club Corinthians Paulista.
Por isso, um dos propósitos da ação #CaleOPreconceito é convidar possíveis patrocinadores para se unirem à causa e calarem o preconceito ao cobrir as frases de ódio estampadas na camisa. Ou seja: a marca patrocinadora entra justamente sobre a frase preconceituosa, deixando essa ilegível. Assim, as macas provarão que quem investe no futebol feminino não só dá suporte financeiro à modalidade, mas também ajuda a silenciar o machismo no esporte. A ação pode ser acompanhada no site: http://caleopreconceito.com.br
“Com isso, esperamos movimentar marcas, torcedores, amantes do futebol e personalidades em torno da causa, mudando para melhor, quem sabe, o cenário do futebol feminino no Brasil”, diz Rafael Pitanguy, VP de Criação da Y&R.
As ações acontecerão durante a rodada feminina: no jogo de estreia do time no Campeonato Brasileiro na próxima quarta-feira (25), às 17h30, contra o São Francisco na Arena Corinthians, e depois na partida do sábado (28), às 15h00, contra o Taubaté pelo Paulistão.
 
História – O Corinthians voltou com o futebol feminino em 2016, em uma parceria com o Audax, mas só neste ano passou a investir integralmente no time sem qualquer participação de outro clube. E se outros clubes grandes optam por oferecer apenas a camisa e mais nada para desenvolver o futebol delas (São Paulo fez isso em 2015, Flamengo ainda faz com o time da Marinha), no time alvinegro a história tem se mostrado diferente.
A camisa é um detalhe – e é bom ressaltar que ela é do tamanho das jogadoras, ao contrário de alguns times que fornecem camisas no tamanho masculino -, mas o que mais tem feito a diferença é a estrutura oferecida e a atenção dada.
Agora, as mulheres do Corinthians finalmente estrearão em casa, jogando na Arena de Itaquera pela primeira vez em mais uma ação importante do clube para promover a equipe feminina.
 
“O jogo de quarta-feira (25) representa muito além do que a nossa estreia no campeonato brasileiro, é a primeira conquista do futebol feminino do Corinthians com uma gestão própria. Diferente do que imaginam, a escolha de mando de campo para uma partida de futebol, requer não só força de vontade, mas esforços financeiros e toda uma estrutura operacional” afirmou às dibradoras Camila Gozzi, gerente de futebol feminino do Corinthians.
 
“A maior ação que o clube fez para promover a sua equipe feminina foi trazê-la integralmente para as suas dependências. O contato com os sócios e torcedores é diário agora e, com isso, o reconhecimento se torna
algo natural. Temos a consciência de que para trazer a torcida conosco, é fundamental que ela saiba da existência da equipe. Por causa da falta de proximidade, física e apelativa, com o clube, parte dos torcedores não sabiam da existência do time até o primeiro semestre do ano passado. Infelizmente, no esporte, para ser divulgado e como consequência, reconhecido, é necessário conquistas. O título da Libertadores, que aconteceu em outubro, elevou o patamar e reconhecimento da equipe, que está em uma crescente desde então.”, complementa Camila.
 
Para as jogadoras, entrar em campo na Arena Corinthians definitivamente trará uma emoção diferente. Atuais campeãs da Libertadores e vice-campeãs do Brasileiro, elas ganham mais uma motivação para começar mais um campeonato om o pé direito. “O sentimento de estrear na Arena é maravilhoso, é de gratidão. Mas também uma conquista. É algo que conquistamos para a modalidade, para que outros times vejam e façam também. A gente usa todas as estruturas da base do Corinthians, no Parque São Jorge, a academia, tudo. Treinamos todos os dias no CT da base, os campos são ótimos. E é o mínimo que todos os clubes deveriam oferecer para o futebol feminino. Os times (femininos que pertencem a clubes de camisa)  devem jogar nos estádios deles, o Santos já vem fazendo isso há bastante tempo e agora o Corinthians. Acho que isso é muito importante para a modalidade”, afirmou Cacau, meio-campista da equipe corintiana.
 
IMPORTANTE: Infelizmente, ainda não há certeza alguma de transmissão na televisão de jogos do Campeonato Brasileiro feminino. O que a CBF nos passou é que o SporTV deverá transmitir ao menos as finais.
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Fonte: site Corinthians

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