Vida de Mercedes Sosa vai ser contada em série argentina

Prevista para estrear em 2021, a produção argentina terá 13 episódios para contar a história de um dos ícones da música de resistência.

Mercedes Sosa foi uma das grandes expoentes da “Nueva Canción”, movimento musical com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, ao consumismo e às desigualdade sociais. Foi perseguida pela ditadura militar argentina e viveu exilada durante muitos anos. (Foto: divulgação)

A vida da cantora argentina Mercedes Sosa, cuja voz potente comoveu gerações de fãs da América Latina, chegará à televisão graças a uma minissérie de 13 episódios que percorrerá sua história de superação pessoal e de sucesso.

A produtora audiovisual argentina Cinema 7 Films iniciou o desenvolvimento de “Mercedes Sosa – A Série”, que conta com o apoio da família e da fundação que leva o nome da artista que morreu em 2009.

“Enche-nos de orgulho e alegria poder levar à tela a vida de nossa avó Mercedes, uma mulher que superou todo tipo de dificuldades, convertendo-se em um símbolo de luta e em uma das vozes mais importantes de toda a América Latina”, disseram Araceli e Agustín Matus, netos da cantora, em um comunicado da produtora, cuja série estreará em 2021.

Mercedes Sosa, conhecida popularmente como La Negra, nasceu na pobreza, sofreu perseguição política e até uma depressão que quase a levou à morte. Mas ela conseguiu se transformar em uma das artistas mais reconhecidas do continente, conquistando a admiração de figuras como Pavarotti, Sting e Caetano Veloso.

“Queremos retratá-la tal como era, com suas virtudes e suas tribulações, uma heroína de carne e osso. Não temos dúvidas de que o grande público se surpreenderá com esta série, principalmente o mais jovem”, disse Rodrigo H. Vila, diretor, produtor e sócio fundador da Cinema 7 Films.

A produtora já havia filmado o documentário “Mercedes Sosa, la voz de Latinoamérica” (2013), que abordava o legado da artista, mas agora se dedicará a uma reconstrução de sua vida. (Reuters)

 

Mercedes Sosa, “La Negra”

Curiosamente, Mercedes nasceu no mesmo dia (9 de julho) e na mesma cidade (San Miguel de Tucumán) onde havia sido assinada, em 1816, a Independência da Argentina. Foi, ao longo de toda sua carreira, defensora inconteste da independência, não apenas de sua pátria como de todos os trabalhadores, amealhando a alcunha de “voz dos que não têm voz”.

Signatária do “Manifiesto del Nuevo Cancionero”, formulado e divulgado em Mendoza, em 1963, tornou-se o mais expressivo nome do movimento deflagrado por ele. Ao longo das décadas de 1960 e 1970, regravou diversas músicas do conterrâneo Atahualpa Yupanqui e da chilena Violeta Parra, conhecidos pelas canções folclóricas que registraram.

Sua estreia em disco aconteceu em 1961, mas foi com o LP Canciones con fundamento, uma coletânea de canções folclóricas argentinas, que Mercedes foi aclamada pela crítica, em 1965, carimbando o passaporte para excursionar pelos Estados Unidos e pela Europa em 1967. Dessa viagem, herdou o apelido La Negra, referência à origem autóctone, filha de índios (e não de negros).

Dona de um repertório multinacional, que reunia as principais canções de protesto do Uruguai, da Argentina e do Chile, Mercedes participou de discos em diferentes países, e consolidou sua presença na música latino-americana como a voz mais difundida no continente ao longo dos anos 1970.

Sua fama no Brasil foi construída a partir de 1976, quando gravou a canção “Volver a los 17“, de Violeta Parra, em dueto com Milton Nascimento, no LP Geraes. Nos anos seguintes, fez participações especiais em discos de Chico Buarque, Fagner, Caetano Veloso, Beth Carvalho e Daniela Mercury, entre outros, e incluiu em seu repertório canções brasileiras como “San Vicente” (Milton Nascimento e Fernando Brant) e “Cio da Terra” (Milton Nascimento e Chico Buarque).

Perseguida após o golpe militar que conduziu o general Jorge Videla ao poder, naquele mesmo ano de 1976, La Negra chegou a ser presa e revistada no palco, durante um show, em 1979. Exilou-se em Paris e em Madri antes de retornar a Buenos Aires, em 1982.

Continuou em atividade até morrer, em 2009. Principal divulgadora de canções de Violeta Parra largamente conhecidas, como “Gracias a la Vida” e “La Carta” (“Me mandaron una carta/ por el correo temprano/ en esa carta me dicen/ que cayó preso mi hermano (…)/ Por suerte tengo guitarra/ para llorar mi dolor/ también tengo nueve hermanos/ fuera del que se engrilló/ los nueve son comunistas/ con el favor de mi Dios”). Mercedes é frequentemente lembrada como intérprete de músicas como “Te Recuerdo Amanda”, de Víctor Jara, “Canción Para mi América”, de Daniel Viglietti, e “Si se Calla el Cantor”, de Horacio Guaraní. (De Memória da Ditadura)

 

Das páginas G1 e Memória da Ditadura

 

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