Visitar um zoo pode fazer você pensar

  –  Primeira parte:  Bosque Guarani, uma opção de passeio no centro de Foz do Iguaçu  – 

Texto e fotos de Áurea Cunha

 
 
O Zoológico Bosque Guarani é um dos poucos lugares de visitação pública gratuitos em Foz do Iguaçu. Localizado no centro da cidade, fica a poucos metros do TTU- Terminal de Transporte Urbano, facilita bastante o acesso. Com as sombra das árvores do local para amenizar o calor, o atrativo acaba sendo uma boa opção de passeio nas férias, para moradores e turistas. Os visitantes podem ver pelo menos 32 espécies entre aves, mamíferos e répteis. São pelo menos 300 animais, contando com as tartaruguinhas de aquário.

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Saguis recém nascidos, foco de curiosidade dos visitantes. (Fotos: Áurea Cunha)

Desses, alguns são novos moradores do local. Em outubro de 2016, dois exemplares machos de jaguatirica foram trazidos para viverem ali.  E no final do ano passado, o Zoo ganhou outros quatro novos moradores com o nascimento de duas araras e dois saguis.
Os saguis-de-tufo-preto tem menos de um mês e meio de vida. Visualizá-los não é muito fácil. Eles ficam bem protegidos, agarrados e camuflados na pelagem dos pais. O casal se reveza nos cuidados dos bebês que se acomodarão assim pelo menos por mais três meses.
__zoo guarani - saguiCom um pouco de sorte e outro tanto de paciência, no entanto, é possível ver os pequenos e fofos de olhos arregalados.
Já as araras, também irmãs, contam com um mês e meio de nascimento. Embora seus pais formem casal para toda a vida e os cuidados com os filhotes são divididos entre eles, os filhotes estão sob os cuidados da equipe do zoo e assim ficarão até que estejam mais fortes e possam voltar ao recinto das aves. É que nos primeiros meses de vida, até que as penas estejam totalmente formadas, os filhotes ficam vulneráveis às intempéries. Por isso foram retirados do ninho e cercados de cuidados para garantir que sobrevivam. Recebem papinha especial na boca, quatro vezes ao dia e fazem um barulho danado já desde pequeninas.
__zoo guarani - ararasAs ararinhas são híbridas, uma mistura da espécie Canindé e da Vermelha, fruto do compartilhamento do mesmo recinto no Zoológico. De acordo com a veterinária Patrícia Cubas, que trabalha no zoo desde 1996, é a primeira vez que esta espécie híbrida, desenvolvida em chocadeira consegue vingar no Bosque Guarani. Ressalta que o fenômeno do hibridismo também pode ocorrer com os animais soltos em seu próprio habitat na natureza.

Visitar um zoo pode fazer você pensar

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Os turistas matogrossenses e a onça pintada. (Fotos: Áurea Cunha)

Visitei o Zoológico Bosque Guarani atraída, a princípio, pela notícia dos novos nascimentos, mas resolvi fazer a visita como turista também, queria saber como é o passeio completo e o que podemos perceber do universo dos seus moradores.

No trajeto conversei com Maycon Barreto, 30 anos, turista oriundo da cidade de Dourados- MS, que estava acompanhado da esposa e de dois filhos. Ele acha que é importante ter esse tipo de atrativo numa cidade.
“É importante para preservar e para mostrar para os filhos da gente a natureza. Hoje está cada vez mais difícil de ver um lugar preservado. Não é só lazer e visitação, é também educativo para as crianças, além da oportunidade de contemplar. Minhas crianças visitaram um zoológico pela primeira vez, ficaram muito contentes e surpresos”, revela Maycon, que é gerente de obras.

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O cuidado para que as araras chocadas no próprio Zoo sobrevivam. (Fotos: Áurea Cunha)

Ver tantos animais distintos, cada um com uma peculiaridade e empatia. Perceber o encantamento dos visitantes. Ser tocada pelo senso de proteção da família dos saguis a suas proles e pelo o esforço da equipe técnica com as irmãs araras para que sobrevivam. A beleza da onça pintada e a interação dos animais com os tratadores.
Confesso, tudo isso me produziu pontos de interrogação. Dentre tantos, o principal deles: por que existem zoológicos? Por que estes animais estão aqui e não no seu habitat?
São perguntas complexas e para tentar responder é preciso aprofundar, mergulhar nas próprias contradições e aquelas da sociedade, em contínua transformação. Mas, isto, por mais complexo que pareça, não deve nos impedir de tentar buscar as respostas. Então, melhor ir por partes.
Por isso pensei em uma série, dividindo minha experiência em três textos.
Nesta primeira vez, tentei mostrar o que aquele espaço oferece a alguém que como eu quer visitar essa ilha de vegetação nativa em pleno centro de Foz do Iguaçu. Na próxima matéria desta série, vou contar um pouco da história da criação do Zoológico do Bosque Guarani e as implicações que levaram à sua localização. Na terceira, as sensações humanas em relação aos animais que aprendi na minha visita.
__zoo guarani - visitasSERVIÇO:
O Zoológico Bosque Guarani fica na rua Tarobá, 875, no Centro, atrás do TTU (Terminal de Transporte Urbano).
O horário de atendimento é de terça-feira a domingo, das 9h às 17h30.
Nas segundas-feiras, o funcionamento é das 12h às 17h30.
Outras informações pelo telefone (45) 3901-3383.


Áurea Cunha é fotojornalista em Foz do Iguaçu.
 
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