Viva voz

  –  Na pista, a rima anda solta e a palavra voa livre. Batalha, hip hop e poesia reúnem 300 jovens na Pista de Skate em Foz  –


Diante da ausência de políticas públicas de cultura, da falta de espaços e de incentivos para as expressões da juventude, a Pista Pública de Skate de Foz do Iguaçu está se transformando em um espaço de resistência e fruição cultural. Regularmente às segundas-feiras, ao cair da noite, acontece a Batalha da Pista, em que a juventude celebra a palavra, a poesia, a rima, o movimento e a batida da cultura hip hop.
Como uma ilha para as manifestações das juventudes, à margem das burocracias e dos manuais que geram funcionários estatais temporários de mais e produção cultural de menos, a pista tornou-se um espaço de encontro. A cada semana, acontecem batalhas de MCs, pocket shows, rodas de freestyle, rap. Na pista, a cultura da periferia conversa com o esporte por meio do skate que também roda livre.
O ambiente de liberdade, harmonia e respeito está atraindo cada vez mais participantes ao evento. Na última segunda-feira, 10, cerca de 300 jovens estiveram na Batalha da Pista. Como em um grande sarau, não há regras rígidas para participar dos embates de palavra e poesia. A ideia é somar, dizem os organizadores, por isso a competição é dispensada, substituída pela construção e a colaboratividade.
O DJ Alexandre Bogler integra a Banca 16, um dos coletivos de cultura hip hop envolvidos na organização da Batalha da Pista, explica o sucesso do encontro. “É um espaço em que a galera participa livremente com seu rap, sua poesia, sua dança e sua rima”, expõe. “Invisível para os governos, o movimento hip hop iguaçuense existiu, continua existindo e resistindo. Por isso, a galera cola em peso na Batalha da Pisa e as coisas crescem”, diz.
 
Na pista
A Pista Pública de Skate de Foz do Iguaçu está localizada em frente ao Ginásio de Esportes Costa Cavalcanti, no bairro Jardim Alice I. A Batalha da Pista acontece toda a segunda-feira, a partir das 19 horas, organizada por integrantes do movimento hip hop de Foz do Iguaçu. Sem patrocínio, apoios público ou privado, os ativistas culturais dispõem de seus equipamentos pessoais e da mobilização nas redes sociais para a promoção dos encontros.
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Guatá/Paulo Bogler

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